hqs + música #03: phonogram
Quando alguém tem uma ligação forte com a música, são frequentes os momentos onde um dia acaba sendo salvo por uma canção, por um refrão.
É como se a música tivesse um poder sobrenatural nas pessoas, é como se fosse mágica.

Phonogram, escrita pelo Kieron Gillen e com desenhos do Jamie McKelvie, parte basicamente dessa idéia, de que música é mágica, ou como diz a tagline da história:
uma fantasia sombria e moderna em um mundo onde a música pode salvar a sua vida… ou acabar com ela.
No universo de Phonogram, algumas pessoas tem uma ligação tão forte com a música que ela deixa de ser apenas um conjunto de simples canções e passa a ser um meio pra propagação de mágica.
É a metáfora de que música é mágica de uma forma bem intensa.

Em Rue Britannia, primeiro volume da série, conhecemos alguns phonomancers, pessoas que conseguem utilizar a música pra propagar mágicas, e David Khol, um phonomancer obcecado pelo britpop, que recebe, a contragosto, a missão de investigar o que realmente aconteceu com Britannia, a deusa do britpop.
Metafísica, cultura pop, crises existenciais e muitas referências musicais fazem de Phonogram algo mais complexo do que parece, e muito mais que uma simples homenagem ao britpop.

E, como não poderia deixar de ser, as capas das edições e do encadernado do primeiro volume, são todas inspiradas em capas de discos, que podem ser vistas aqui.
Phonogram é publicado pela Image Comics e possui 2 volumes até o momento, Rue Britannia (2007) e The Singles Club (2010). Um terceiro volume, The Immaterial Girl, foi anunciado e deve começar a ser publicado no fim de 2012.
antes :
shows de março
cícero + marcelo camelo [10/03 @ circo voador]
sobre o show do cícero
o cícero fez um dos melhores discos do ano pasado e tá com a popularidade em alta, atraindo cada vez mais gente nos shows.
fiquei surpreso em ver o circo voador cheio e com muita gente cantando todas as músicas do cícero, parecia até que ele que era a atração principal da noite, e não o camelo.
sobre o show do camelo
gosto bastante dos los hermanos e também dos discos solos do camelo, mas nunca tinha visto um show dele. gostei, foi melhor do que eu esperava, e pelo que me disseram, o camelo estava mais empolgado do que de costume.
serviu também pra aumentar a ansiedade pros shows da turnê dos los hermanos, em maio.
shows de janeiro e fevereiro
janeiro
marcelo jeneci + tulipa ruiz [14/01 @ circo voador]
the rapture [27/01 @ circo voador]
fevereiro
mayer hawthorne [04/02 @ circo voador]
hqs + música #02: comic book tattoo
Uma das lendas que existem em torno de Sandman, do Neil Gaiman, é a que diz que a Delírio foi baseada na Tori Amos, amiga próxima do Gaiman. Em resposta a essa história, Neil Gaiman, genial como sempre, disse que ele conheceu a Tori Amos após a criação da Delírio, mas que ambas roubam a personalidade uma da outra sem pudor algum, e convenhamos, não é nada difícil imaginar a Tori Amos como Delírio ou a Delírio como Tori Amos.

Tudo bem, Tori Amos pode não ter sido a inspiração pra Delírio, mas suas canções serviram de inspiração pras dezenas de histórias presentes no Comic Book Tatto, lançado em 2008 pela Image Comics, com uma belíssima capa do Jason Levesque

Comic Book Tattoo é uma compilação de 51 histórias cujo único ponto em comum foi terem sido inspiradas em alguma canção da Tori Amos. Todos os artistas que participaram do projeto tiveram liberdade total no desenvolvimento, o único pedido era que as histórias não fossem simples transcrições das letras, mas que refletissem o que cada um sentiu ao escutar aquela canção pela qual eram responsáveis em roteirizar ou desenhar.


Lançado em um formato quadrado, no mesmo tamanho de uma capa de disco de vinil, pra realçar o lado musical do projeto, Comic Book Tattoo, ganhou os prêmios Eisner e Harvey de 2009 na categoria Melhor Antologia e traz uma introdução do Neil Gaiman, retribuindo o favor, já que a Tori Amos foi a responsável pela introdução no encadernado da minissérie Death: The High Cost of Living
A amizade da Tori com o Gaiman já rendeu diversas referências mútuas e até um trecho no artigo da wikipedia dedicado ao Gaiman.
E além disso tudo, os quadrinhos também estão presentes em um projeto da Tori, os calendários beneficientes da RAINN, organização fundada por ela em prol de vítimas de abusos sexuais.
Entre os artistas responsáveis pelas ilustrações dos caléndarios da RAINN, temos o David Mack, capista de Alias e outros títulos da Marvel e o Bill Sienkiewicz, mais conhecido por Elektra: Assassina e o responsável pela arte da Delírio na primeira imagem desse post.
E cá entre nós, olhando a imagem abaixo e a primeira imagem do post, não há tanta diferença assim, mas uma é a Delírio e outra a Tori Amos, ou seria o contrário?

antes :
hqs + música #01
sunday girl
Essa menina, além de muito bonita, tem uma voz deliciosa.
Sunday Girl - Where is My Mind (Pixies)
Sunday Girl - Tender (Blur)
Sunday Girl - Time to Pretend (MGMT)
Sunday Girl - Tik Tok (Ke$ha) (até essa ficou legal)
Mas ela não faz só covers não.
Sunday Girl - Four Floors
Sunday Girl - Stop Hey
Acho que estou apaixonado. ♥
E conheci o som dessa menina, que nem tem disco ainda, por causa desse tweet.
Video: O que você, fã de Pixies como eu, tem a dizer sobre isso? tmblr.co/ZT4eTyEHbeDu
— André Takeda (@andretakeda) January 5, 2012
top 5 shows de 2011
Fim de ano é sempre época de listas de melhores, melhores discos, melhores filmes, melhores shows.
Pensei em fazer uma lista de melhores discos de 2011, mas lembrei que ainda não ouvi muita coisa que saiu em 2010 (e até em 2009) e, obviamente, muita coisa de 2011 acabou ficando de lado também.
Uma lista de melhores filmes também não faria muito sentido, vi pouca coisa e, por melhor que seja minha memória, às vezes não lembro o que vi e quando vi, acho que em 2012 vou tentar tomar nota dos filme vistos, deve ter pelo menos uma dezena de serviços na web pra isso.
Acabei então ficando com um top 5 shows, ou quase isso, né.
# 01 / Broken Social Scene @ Circo Voador (08/11/11)
O Broken Social Scene tá no meu top 5 atual de bandas preferidas e tem anos que eu estava querendo ver um show deles. Em 2008 quase vieram pra cá no Indie Rock Festival, mas o festival acabou não rolando.
No início desse ano, por volta de Março, rolaram boatos de que tocariam no Circo Voador em Abril, mas a própria banda acabou negando isso e a frustração por não conseguir ver um show deles só foi desfeita quando o Planeta Terra confirmou a banda no line-up e logo em seguida a galera do Queremos anunciou o Eu Quero Festival, com o Broken Social Scene como um dos headliners.
Mas claro que a tensão seria mantida até a hora do show, pouco tempo depois das confirmações, a banda anuncia que entraria em pausa, sem prazo pra voltar, e com tanto cancelamento de show acontecendo, não dá pra negar que bateu um medo de cancelarem os shows daqui, os dois únicos que eu poderia ver, por um bom tempo.
Ver sua banda preferida fazendo um show de despedida em um lugar como o Circo Voador já é suficiente pra entrar numa lista de top 5 melhores shows (talvez não só do ano, mas da vida), mas além disso, a banda foi sensacional no palco, com um show de quase 3 horas de duração, com hits e b-sides, algo pra fã nenhum reclamar.
Vi também o show do Planeta Terra, mas não tem como comparar um show curto em um festival onde 95% das pessoas estão lá pra ver outra banda, com um show em um lugar tão agradável quanto o Circo Voador e com um público que foi lá buscando exatamente a mesma coisa que você, o show de uma de suas bandas preferidas.
# 02 / Warpaint @ Circo Voador (07/10/11)
Não, o Warpaint não tá na lista só porque é uma banda de meninas, não sou tão influenciável assim, acho.
Conheci o Warpaint no início do ano vendo o streaming do Coachella, gostei bastante do som, tem uma levada de psicodelia e post-punk que me encanta muito, gosto do destaque que o baixo e a bateria tem em várias músicas e das guitarras bem simples, criando camadas e camadas de sons e efeitos. É o tipo de som que cria toda uma atmosfera que acaba te envolvendo e hipnotizando, quando bem feito, claro.
E as meninas do Warpaint fazem isso muito bem, tanto que bateu uma dúvida entre colocar o show delas no primeiro lugar, mas o fator despedida do Broken Social Scene acabou influenciando a decisão.
# 03 / The National @ Circo Voador (08/04/11)
Assim como o Broken Social Scene, o The National tá no meu top 5 atual de bandas preferidas, não cheguei a ver o show deles no Tim Festival de 2008, não era tão fã assim na época, o The National é uma daquelas bandas que demorou pra fazer efeito comigo, mas quando fez, a ansiedade pra poder ver ao vivo foi ao máximo.
A vontade era tanta, que acabei indo pra São Paulo só pro show deles, nunca se sabe quando voltam, não queria perder a oportunidade de ver os dois shows. No fim das contas, valeu muito a pena, principalmente por perder a voz em Abel, Mr. November e tantas outras, e claro, por isso:
# 04 / Primal Scream @ Circo Voador (23/09/11)
Ok, confesso que não sou tão fã assim do Primal Scream, mas gosto muito do Screamadelica, não ia perder a chance de ver um show deles tocando o disco na íntegra no dia exato do aniversário de 20 anos de lançamento.
E mesmo sem o naipe de metais e o coral gospel completos, o show foi épico, mistura perfeita de psicodelia e música eletrônica (com um leve toque de gospel), um daqueles shows que te deixam lá em cima quando acabam, que mostram o motivo da música existir, sai de lá torcendo pra voltarem logo, um show desses por ano faz muito bem, é mais que necessário.
# 05 / Teenage Fanclub @ Circo Voador (12/05/11)
O Teenage Fanclub é outra banda que eu gosto, acho legal, mas só fui dar uma atenção maior quando anunciaram o show.
Ouvir I need direction e Don’t look back ao vivo, era exatamente o que eu estava precisando no já distante Maio de 2011.
bonus
Chega a ser engraçado o fato de todos os shows desse top 5 terem acontecido no Circo Voador, mas não teria como ser diferente, a estrutura do local é ótima pra shows de porte pequeno pra médio, a proximidade entre a banda e o público influencia bastante na dinâmica dos shows, o artista consegue ver facilmente a reação do público, passa a gostar mais, se dedicar mais ao show, é o chamado efeito circo.
Quase entraram na lista os shows dos Strokes no Planeta Terra e do The Kills no Circo Voador, os dois pelo mesmo motivo, me surpreenderam muito.
E, obviamente, Sir Paul McCartney não entrou no top 5 pra não ser injusto com as outras bandas.
entre o apagar das luzes e o início do sonho
Em praticamente todas às vezes em que você se apaixona por uma pessoa, você nunca sabe ao certo o que ocasionou tal sentimento, pode ter sido a forma como ela sorri, o jeito que ela mexe no cabelo, as coisas que ela te conta, ou o mais provável, a soma de diversos fatores, alguns até desconhecidos, tudo que você sabe é que está apaixonado.
E já parou pra pensar no que faz uma banda ser a sua preferida? É praticamente a mesma lógica (ou falta de) que faz com que você se apaixone por determinada pessoa.
Uma música especial, um trecho de uma letra, um show inesperado, um acorde bem baixo no fim do refrão, algo tão sutil quanto um sorriso, e tão importante quanto.
Bandas e pessoas são apaixonantes, te fazem sorrir e chorar, te deixam feliz e triste, fazem com que você não se sinta sozinho no mundo, te dão abrigo e indicam uma luz naqueles momentos mais desesperadores, e também vibram e comemoram com você quando tudo é festa.
Talvez uma diferença seja o fato de que é mais difícil uma banda te abandonar, embora seja possível.
Eu me apaixono fácil, com diferentes níveis de intensidade, e minha paixão musical mais intensa no momento é o Arcade Fire, e é algo de anos já.
E aí que o Arcade Fire conquistou o grammy de melhor álbum do ano, e embora eu não me importe muito com essas premiações, não dá pra evitar um sorriso de felicidade por eles.
Conheci o Arcade Fire no início de 2005, alguns meses antes do show que fariam no TIM Festival, baixei o ep, o álbum, vi fotos, li sobre shows, mas até então era um interesse normal, só me apaixonei realmente pela banda no dia do show, 22 de Outubro de 2005, no palco lab do TIM Festival, ali algo aconteceu e o Arcade Fire se tornou minha banda preferida, minha paixão maior.
O que realmente mexeu comigo, foi a sensação de entrega da banda, a dedicação, a empolgação de todos no palco, como se do início ao fim do show nada mais no mundo importasse além de fazer a melhor apresentação possível e deixar todos extasiados, foi como se a banda e o público estivessem em uma bolha fora do fluxo espaço-temporal do resto do universo, nunca havia visto algo assim antes e ainda não vi algo assim depois.
Lembro até hoje de ter olhado pro palco e visto o Richard Parry, o ruivo com cara de nerd, tocando baixo, cantando com os olhos fechados e olhando pra cima, tudo em câmera lenta, se entregando totalmente a música e ao público, e a mesma cena se propagando pelo resto da banda, desde o Will Butler escalando a estrutura da tenda até a Sarah Neufeld tocando seu violino como se flutuasse no espaço.
Desse dia em diante, o Arcade Fire pra mim virou parâmetro, sempre procuro a dedicação que eles tem com seus trabalhos em outras bandas.
Ver o Win Butler sorrindo como se fosse uma criança que ganhou o presente que mais esperava no natal foi algo sensacional. Ver uma banda como o Arcade Fire, que faz exatamente o que quer, sem precisar ceder a pressão nenhuma de gravadora nenhuma, conquistar um prêmio de disco do ano no grammy foi sensacional.
Não importa se a indústria não é mais a mesma, não importa se o grammy não diz muita coisa, é inegável que apesar de tudo, ganhar o prêmio máximo no grammy é uma consagração, é um reconhecimento grande de todo seu trabalho.
E ganhar de artistas que venderam milhões a mais que você, que são milhões de vezes mais conhecidos que você, faz tudo ser mais sensacional ainda.
Espero que o Arcade Fire seja cada vez mais reconhecido e que mais pessoas gostem da banda, e se possível, sintam-se da mesma forma que eu, apaixonadas. Não só pelo Arcade Fire, mas pela música, por diversas outras bandas sensacionais que existem por aí.
Como canta o Win em uma das músicas, nós estamos prontos pra começar.
ps: escrevi esse texto após o grammy desse ano, publiquei em um blog antigo e resolvi resgatar.
ps2: o título é uma tradução de um trecho da música no cars go, between the click of the light and the start of the dream.
hqs + música #01: LOCAL
Ao saber que o Sonic Youth entraria em pausa após 30 anos de atividades, me lembrei de uma HQ que li há alguns anos, a terceira edição de LOCAL, que trata justamente sobre isso, o fim de uma banda e todas as reflexões que isso gera.

Brian Wood, o autor, descreve LOCAL como uma série sobre pessoas e os lugares que elas vivem, histórias curtas sobre o dia a dia, problemas, decepções e alegrias que todos nós enfrentamos. Cada uma das 12 edições, publicadas entre 2005 e 2008, traz uma história em um lugar diferente, com um tema diferente, a única coisa em comum é que todas elas representam um ano na vida de uma personagem, uma jovem chamada Megan Keenan.
Embora a série mostre o crescimento e amadurecimento da Megan, nem sempre ela é ponto principal das edições, em algumas, como é o caso dessa terceira edição, ela faz apenas uma ponta.
LOCAL #3 se passa na cidade de Richmond, no estado americano da Virgínia, e é uma história sobre música, mais precisamente sobre o fim da banda fictícia Theories and Defenses, uma banda que ajudou a definir a cena local, estourou com o terceiro disco, mudou-se para a Europa e chegou ao fim após 15 anos de existência.

A forma como Brian Wood escolheu pra contar a história da Theories and Defenses e seus membros pós-término não poderia ter sido melhor. Tudo se desenvolve através de uma entrevista com o vocalista principal para uma revista sobre música, intercalada com passagens que mostram cada um dos outros três membros restantes, a baixista, o guitarrista e o baterista. É através das perguntas e respostas na entrevista que ficamos conhecendo a Theories and Defenses, as mudanças na sonoridade, na temática das letras, a relação com os fãs, o motivo do término e tudo em silêncio.

É difícil não se identificar quando o vocalista fala sobre os fãs e critica a mentalidade de propriedade que alguns deles tem, a mesma mentalidade que alguns de nós também temos quando achamos que somos donos de uma banda e que ela nos deve sempre algo mais, algo além das músicas.
Quem nunca se pegou reclamando que determinada banda não lança mais discos parecidos com o seu disco preferido? Como se eles tivessem a obrigação de sempre gravar para agradar cada um dos fãs. Talvez seja esse o ponto principal dessa edição, a reação dos fãs, ou numa forma mais geral, as cobranças que sempre fazemos, mesmo quando não temos motivo pra isso, mesmo quando não devemos cobrar nada. E é nessa parte que a jovem Megan faz a sua ponta, como uma fã que pede um autógrafo ao baterista.

Um dos fatos que tornam LOCAL #3 ainda mais interessante, é imaginar como deve ser o som da Theories and Defenses, as letras, os shows. Depois de ler, acabei concluindo que deveria ser algo entre um Sonic Youth e um Teenage Fanclub, e olha, acho que eu seria fã da Theories and Defenses.
E toda a idéia pra essa edição de LOCAL, veio do fim de uma banda de verdade chamada Engine Down, da mesma Richmond, Virgínia.
+ :
LOCAL de Brian Wood (roteiro) e Ryan Kelly (arte)
$19.79 + frete na Amazon (um volume, inglês)
R$36,50 e R$32,00 na Comix (dois volumes, português)
0.1
Então, como nem tudo cabe em 140 caracteres, resolvi fazer um tumblr, blog, algo assim, pra falar do óbvio de sempre.
HQs, discos, séries, filmes e o blá blá blá do dia-a-dia.
Vamos ver quanto tempo dura.